JULHO, 4, 2015.
I. O beco cheira a urina velha, amarga, antiga. Os garis, se é que já ouviram falar deste canto, não gostariam nem da ideia de pensar em ajudar, afastar este infernal cheiro do líquido amarelo e belo que jorra como canal de esgoto, para fora do corpo. Os banheiros se perdem, entre a bebedeira, as cervejas e qualquer outra bebida escrota. Os caminhos vão se encurtando, até se aproximar do beco, o azedo-amarelo. No devaneio da fuga, o teu pau está para fora e você está acocorada, sem nem ao menos atentar os mal olhares, já está largando lá, a tua deixa, sua parte na história do ‘banheiro’.
II. Contar no dia seguinte, depois do inferno explosivo da ressaca, misturada com um ardor estomacal, feito ratazanas mastigando as entranhas. Enquanto um ventilador gigante, é ligado em seu cérebro, fazendo teus olhos perderem o foco, como se não bastasse o bendito álcool rasga o que resta da garganta, para jogar tudo fora, te libertar, por hora. A caixa de remédios está vazia – que azar para um começo de dia -, vai ter de aguentar todo mal, que no dia anterior foi prazer, ter a paciência de um padre, para não tentar enfiar alguma agulha no olho ou cuspir o que resta de vida.
III. Acordou de novo, renovado, depois de mil litros d’água. E pensou se esqueceu algo ontem. Não consegue dizer. Vai esperar o telefone tocar, receber a mensagem. Para sacar e se tornar bacana, pois existiu uma história que sua mente apagou. Foi a melhor que você conseguiu escrever, e só com outro gole da morte, vai se repetir.