DEZEMBRO, 11, 2019.
1.
e esta decadência não é o sucumbir do ser, na medida do desespero que me acomete e leva tudo pra este abismo; qual o noto transpirar, em incessantes lampejos de epifanias, como ondas a destruir recifes. e importa, observar o trabalho infinito, perpétuo em ataques naturais, um natural explícito que forma na matéria, variações inteligíveis e diagnosticáveis; na ousadia excessiva, ou simples afetação do olhar-consciente ao mundo. é do decompor tardio, infinito deste recife, que me causa a epifania de admirá-lo.
2.
ataques simbólicos, um desafeto. nada que surgisse exemplificado na imersão, pois estava submerso. um acidente intransponível, inacessível; reduzia-me ao corpo defuntesco, tragando entrecortadas respirações pífias, na medida dos golpes incessantes, do retorno-eterno da ondas quebrantes. meu corpo tão mirabolante, ainda notava, a conformidade excruciante, os símbolos rastejantes daquele inevitável afogamento.
3.
vejo meus dedos torcidos entre a lama fétida, ao alcance das pedras que poderia me por a subir e levitar meu olhar para longe desta água torpe e sacra; veria o que lá de cima? onde terminam os degraus de pedregulhos, não seria somente uma visão oposta? submeteria-me ao trabalho árduo deste salvar-se, sendo não somente um salto, escape.
4.
escapo com vida, mas não noto transcendência alguma.