O insano que se percebe “afísico”.
JULHO, 11, 2016.
Deito-me na mesma cama do passado, um repetir estático, dos modelos já bolados. Usurpo meus antigos corpos, junto em um caixão só. Largo lá ainda, três mensagens que adoraria receber e ter.
Nada vem de brilhante lá da frente, nem cá recebi um prestígio ou um toque que me entorpecesse de vez. Fui um pequeno acaso, verme maltratado pela própria voz.
Olho para o sol todos os dias, deixo arder para ter um pouco de prazer na agonia, das lágrimas forçadas. O anoitecer, das chorosas luzes cor de mijo, goleando as ruas as quais passo.
O teu descaso, o teu desprezo singular, teu jeito peculiar me crucifica. Coloco o meu ego despedaçado e amarro-o na cruz do meu espírito assolado, na sua destreza em destruir, recebi uma aula do que perdi em vida.
Oh, o tempo tão cruel, ataca a minha garganta e a traqueia se fecha, o ar que havia de tentar dar-me vontade, solta-se pela cidade. Faço do meu corpo um vegeto e nado, corro, salto e jogo, em busca de algum cemitério que aceite, uma alma estúpida.
Desligo a máquina, os bateres ecoantes de um peito que ARFA. Chamam pelas costas, chamam o meu corpo de ingrato, e cá as vezes me sinto. Não que verdadeiramente o seja, mas sou, como a sinceridade é estúpida, num jogo de mulas.
A vida se repete em todos e quaisquer sentidos possíveis, é feito mente, em milênios que ainda não nasceram, ouço vozes pedindo um retorno ao passado. Ao ventre do que já foi morto, trucidado. Em um beco, o sangue acumulado, de todos os santos, jogados nas poeiras do que ERA. A eterna esfera corrosiva, somos todos meros moribundos de voz, aos poucos que leram, EXISTIMOS, por ter consciência provável. De apontar para o monte, e dar a ele sentido.
A visão não é realidade, não há voz que ultrapasse a raiz. São flores caindo eternamente no vazio do espaço, lágrimas de anjos trucidados. Os imortais tentam dar-se fim, todo santo dia, que santo a terra emana nada, só desgraça.
Volta e meia brinco com uma pistola. A arma ricocheteia, a pólvora estala e a bala vai, o brilho amarelado, de uma chama. O som ecoa pelos meus ouvidos preparados e o zunido me deixa em delírio. Tento me por na frente do tiro que foi, e caio, em tristeza. De ser humano.
Volto ao mesmo ponto, procuro amor distante do físico. Meu ego é tudo, menos certo. Se tu que olha toca-o, me diz, que aqui é agoniante.
Como toda noite, qualquer uivo e passo. O baque nas janelas de casa. Dorme, dorme, tenta dormir, moço. Descansa.