FEVEREIRO, 2, 2018.
estas traças que mordiscam a pele, saltitam entre risos ríspidos, causando ranço em meus tímpanos sóbrios; tento adormecer entre estas mordidinhas minúsculas, rejeitando o desafeto deste contexto miserável, observando a contorção da luz que se projeta exausta nos cantos do quarto. ocupando as horas com relapsos e delírios, mastigando a língua e rangendo os dentes para o ar que golpeia esta testa medrosa. caio da cama, um projétil torto, e a contorção é sublime, é um expurgo; enxuto entre chutes, gritos, socos que acertam o ar em uma raiva inominável.
esta máscara em putrefação, despindo-se em goles microscópicos, latejando diante do espelho expressões corrosivas, abrindo fendas no espaço retilíneo, pousando carências entre restos tragáveis da catraca mecânica da observação comum. esta máscara retém o líquido ridículo dos transeuntes em seus trajes metafóricos, ocupando a face de risos sistemáticos e volúpias de contato físico no físico. rejeita, detrás da máscara o moço, observa tudo engradeado, preso por correntes. o rangido, este sonzinho que passeia pelo organismo, tateando a pele e pousando na córnea, fazendo-o tremer de repente ou tossir; a agonia na tosse, no choro que escorre pelo olhar que reside a desgraça.
submerso no esplêndido trajeto da vida-vil, da morte-sã, dos estudiosos que lamentam o amor platônico depositado no corpo incrível de algo, de alguém; um objeto risório é o corpo e suas navegações ridículas, alimentando o material-orgânico em seu ladrar, e a sagacidade invisível, insensível de uma vontade de ato que finaliza-se em si.
analisa o contexto por trás do riso e as piadas que explodem em alegria, e dúvidas aos que escutam; perguntam em silêncio, com a cabeça travada na atenção que não passa dali; a maldição de retesar espaço ótico em simples objetificações prováveis, previsíveis ao interior deste ser idiota, que sou.