AGOSTO, 2, 2017.
VELHA MEMÓRIA.
1.
Medo, sinto, tanto medo; me arrasto por crises existenciais gritantes, simbólicas e transformativas, deste âmbito solitário revejo conceitos, elaboro alguns e noto a forma obsoleta desta solidão; submisso a princípios ilógicos, todos derivantes de carências insuportáveis. Subo alguns degraus, arranhando paredes com unhas apodrecidas, mordiscando os dentes velhacos, amarelados pela premissa equivalente ao definhar -viver, como aproximar-se da morte-, subalternando saudades, mantendo relações imbecis para por no pretérito, alguma fadiga, corpo vivo e língua, língua que arrastou-se, pois caso não… não viveu.
2.
Suplicar ao horizonte amarelado, detrás de nuvens cinzas; destituído, um olimpo quebradiço, dos divinos fétidos, lotados de desgraça; rogo-lhes em tom cômico, pois é óbvia a inexistência dos tais, sendo nada mais que lacuna deplorável, da consciência ininterrupta.
3.
Dou-me paz, alguns segundos empíricos, enquanto arrasto a colher de pau pela frigideira; ideias saltam da ponta dos olhos, passo a mão pela mesa, corto, fatio e jogo, o gosto vem feito golpe; tão crível, como quando pus uva, naquele molho lá. Nostalgia, que logo vem soterrada de melancolia, tanto que o verbo me falta, pressiona a garganta e solto um grito riscado. Frustrado, pois não volta, são escombros chamuscados, poeira ordinária, memória fajuta… Não voltei, nem senti tanto quanto haveria de; só cuspi no próprio prato, qual lavei, mas antes joguei os restos no lixo e no lixo ficou eu.
TUA AUSÊNCIA.
AGOSTO, 2, 2016.
O meu desespero ecoa no silêncio da tua ausência, torna tudo tão sublime e desagradável, mas me delicio com este detalhe. Não me determina ou reduz a um princípio de mutilação existencial, mas apavora o tempo que trava em uma perspectiva solitária… Nada de lá me traz brilho, nem suavidade, sequer algum toque de sobriedade…
O lamento de um adeus que não existiu, perdi-te, e é só desgraça desde então… todos se vão com o tempo, não pela fatalidade, mas pela sociedade que se renova e transtorna, os princípios belos de amizade.