MATERIAL ARTÍSTICO / NATURAL DO HOMEM.

8, NOVEMBRO, 2016.

“Material artístico- Disse hesitante, enquanto puxava do maço, um cigarro e entre os dedos, mordia-o.- Cá me faço presente, por arte, pela arte.’

O sorriso dela se desfez por um instante só, a ebriedade deixa desmaiar algumas percepções importantes em um ambiente deste tipo, duas cadeiras amarelas, uma mesa fajuta de bar, que lembra a velhice e a mesmice do próprio envelhecer. Nada mais que um prazer mensal, no máximo bimestral, a união destes seria. É importante amar/apaixonar-se e a amargura de qualquer romance é introspectivo. Detestou aquele segundo de pensar, pesar, particularmente HUMANO, ela sentiu dentro do peito um aperto, como se próximo, aquela dúvida tivesse atravessado os lábios carnudos-rosados e as partículas da indecisão tivessem feito uma interação psíquica e Ell, a tivesse subentendido e partindo dali, o fim. Mas não haviam iniciado nada… O peito lateja inconsequente, principalmente este, o dela.

“As horas repetem-se, linda, os dias, os anos, nada de fato se derrete ou esvanece, aposto que cê já me entende. -Diz naquele ar de soberania insuportável, mas tem-a entre os dedos e o olhar da moça o devora. -Detesto o passado e o futuro, cá se pudesse, me desfaria da memoria, sobreviveria apenas de instinto, deste que me faz querer beijar-te até me sentir afogado, eternizado neste laço que há de ser.”

Não há necessidade de estender a fala, o momento as vezes trava em uma piscadela ou o lábio que pende para um lado. O contexto de poder é fodido, mas tem uma lógica e é tão presente, que dá asco a qualquer ser que espera do mundo, algo real. Ell teve pra si o que quis, seis longos meses submerso em um amor, só para ter para si o saber. Hoje é sabido, e All(a moça) fora somente Arte, para mais um dia se eternizar anônima, nas entrelinhas de um poeta submerso na proposta maligna, de produzir algo que toque.

NATURAL DO HOMEM.

31, OUTUBRO, 2017.

A palavra natural é utilizada na maioria dos discursos sobre o humano; pela simplicidade inquisidora da mesma ou a facilidade de torná-la verídica. É perceptível o teor viciante da mesma, ao ler que algo é intrínseco ao ser meu sorriso se desfaz; não por odiar qualquer coisa natural, mas por simplesmente duvidar. A dúvida está em cada um de nós como um parasita maldito. Não deveria, mas é o fato. Quanto mais me distancio dela, sinto-me feliz, por ter encontrado algo onde me sentar e descansar a desgraça. O existir resumido seria satisfatório ao medíocre.

Se há algo mais malicioso do que o discurso ‘natural’, para justificar atitudes grotescas, poupe-me o diálogo; se não notas o viés alienista das versões políticas, histórias ou até músicas, leia de outra forma. Não tenho a palavra divina e pouco a pouco percebo que não a quero, prefiro este recanto amaldiçoado do que um banho de sol ao lado do divino.

A natureza humana é discutida por toda a história, em todos os campos da ciência. Se alguém justifica algo por ‘ser’ e só, peça para sair, que alguém o chama, e este alguém lá fora nem precisa existir; talvez um delírio, qualquer um para escapar. De natural na consciência algumas certezas insuficientes para justificar atrocidades, mas existem outras suficientes para justificar a realidade; tais não devo dizer agora, e nem em outro texto próximo, aqui só me ative em lhe causar dúvida. Pois no fundo, é natural, não? Vê aí nesta pergunta, como lhe traz uma certa felicidade, pois é indubitável que seja, mas a parte risória (de sorrir) aí não é o fato, é sim o fim do discurso. O discurso com fim em si mesmo, é grotesco, se não me faz questionar o motivo de, é ideológico e se o for, cuspa em tal -caso seja papel.

Fim do diálogo.

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