11, julho, 2017
Silêncio.
Silêncio. Quantas lástimas passarei eu até perceber nas migalhas que escaparam da razão; numa confusão imunda de variáveis intangíveis, incessantes, declinantes! Vociferando o ridículo em bares corruptíveis, nas marolas delicadas e ondinhas golpeando inutilmente as beiras de rios!
De desculpas esfarrapadas aos existentes, mesclando em um certo tipo de calculo interno; vendo até que ponto é sensato, até que ponto não causaria uma tragédia! Tragédia ao ouvinte, passivo, nocivo por um tipo atroz de singularidade explícita, mixuruca, nas disformes formas compostas por um método só; metódico, são todos metódicos, falastrões!
Esquivando de farpas comovidas, ratazanas pestilentas subindo paredes como aranhas famintas! Cessa ao menos um pouco, pelo pó, o ópio; que ópio, cabra, que mazela não se arrasta, deixando marcas e chiados dos grilhões invisíveis, presos no teu ego inundado de dúvidas melancólicas; todas mornas, loucas para atacarem e me atacam, amigo, me arruínam!
Lar, que lar agoniante… não seria pior ser um mirante, observando a distopia, variáveis das mesmas realidades em paralelo?! Lá se foi, lá se perde, lá se foi de novo. Não aponta-se, não se vê, que reflexo nasceria das migalhas deste espelho velhaco; orbitando na visão imaginativa de uma criancinha imunda, desconexa! Choramingas, lateralizando situações.
2, JUNHO, 2021
DESISTA.
Assisto estas memórias como um decrépito, vejo-as devagar e oscilo entre sensações torpes e inaudíveis. Observo-te aproximar, mudo o semblante e refaço-me em segundos invisíveis, para não parecer-lhe nada, nada além do físico. Sou o espírito livre, das condenações das pouquíssimas leituras e inaptidões de alcançar hábitos saudáveis. Um reflexo nítido da desorganização, satisfação em instantes raros e conhecimento caótico, de ambientes abissais e absurdos. Ouçam-me, somente aqueles quais a razão é um tipo de ser abjeto, descontrolado, ouvir-me é adentrar em um tipo de forma, formas.
As formas são feito chagas intransponíveis, redutoras e simplistas. Ouço das vozes conduções elementares, substanciais, dizer sim ou não, é impossível. Somente sê-lo, vê-lo, tornar-se. Arrasto os dedos pela face na transfiguração e o hediondo torna-se rotina, meus olhos secos, meus dedos viciados no hábito atroz de rejeitar qualquer premissa de sucessão num desejo ininterrupto de voltar àquela forma capaz.
Houve algum capaz?
Desista.
18, NOVEMBRO, 2017
subordinada ordem do processo da culpa.
a problemática do subordinado ultrapassa a incapacidade decisiva de crescer, mirar um homem ordinário e acusá-lo de incapacidade ou espírito frágil, é ridículo; as posições de valor diferenciam-se em si mesmas, de uma forma grotescamente desvalorado, é tal que o tempo passa e a mordomia do sujeito na posse, se transforma quase numa venda, e é satisfatória a tal; o sujeito da posse é como um parasita que hospeda-se num corpo idiota, sem defesa qualquer. o parasita mordisca um sistema imunológica fraco, e tira para si a vida, como o mosquito chupa o sangue a diferença cá, é o interesse a consciência traz culpa; Kant já diferenciava o animal do homem, na fundamentação da metafísica dos costumes e Sartre, quantos anos depois, traz uma forma de Ser livre, mas a liberdade é transparente ou deveria, mas o sujeito se esconde em oratória, pois até eu caio as vezes no diálogo da culpa. mas eu divago muito, e tu já desistiu e elaborou algumas contraposições favoráveis ao teu discurso do mérito, e teu mérito é a chacina que passeia na estatística do homem e não do sujeito, para tornar-se sujeito, é necessário uma subjetivação, e a linguagem falta ao que está fadado a ser número.
a desculpa será: todos somos.
patético. o subordinado está feito o idiota que se alimenta das sombras, na caverna do Platão, mastigando das ilusões de sua sensibilidade, mastigando a comida que lhe é arremessada pelas frestas, pela janela. o subordinado puxa o gatilho, mira a testa do inocente sob as ordens de um qualquer e esta hierarquia mantém um pódio, pro tal, que atira; uma medalha e uma ferida controlada, pelo remédio que acaba a cada salário no fim do mês. o diálogo estatístico é no mínimo a certeza de uma época fadada aos discurso variáveis, mirando uma proposta só: a própria barriga. este individualismo não se cessa, e é comovente assistir a ajuda incessante de todos os cantos, a filantropia já em Dostoiévski, no crime e castigo, é uma máscara para a desgraça e é pífia; o comum gosta do artista, do poderoso que dá adeus alguns trocados e mata a sede de alguns seres borrados em outra parte do plano, do planeta, do projeto.
e cá me vejo preso no meu discurso, mas ao menos eu admito e me observo despencar neste absurdo, e não esquivo-me sobrevivo na sucata e chuto os escombros, pois noto a fraqueza do que digo, pois está tudo hierarquizado. (como pode notar no texto, é bem fraco.)
8, NOVEMBRO, 2017.
Repetido sentimento histórico.
Esse sentimento de assistir tua decadência é repetido na história; é tão saturado, mescla asquerosa do ridículo! É como acometer-se, apropriar-se de suas idiossincrasias; e isto me dissolve, arrasta-me prum horizonte melancólico de premissas ardilosas, junta das paredes derretendo pela inconveniência ácida que é ter teu nome na ponta da língua, em uma vontade terrível de rasgá-la, atirar no esgoto, este traço histórico. E repito, não há nada de novo nesta situação; é um ciclo poético, é a devastação do apontamento romântico e insuficiência revoltosa do grito desaprovado ou de aprovação rasa. Este raso é a convulsão histérica, trará uma sequela irreparável, a de estar ou não submetido a este apaixonar-se estúpido. É moribundo, uma forma moribunda de amor que compõe o tempo e a época tende a reverter-se ou ainda, ser atual, mas o tempo passou ou não? Logo vejo-me de novo, nas mesmas esquinas, esperando as coisas já acontecidas! Santa desgraça que pôs este ser dentro da caixola, exausto, exaustiva forma.
E atirar o olhar na tua causa pífia, de repetidas feridas abertas; renovadas pela sua falta canalha de voz-própria. Não há sequer um motivo insuportável, é um tipo pedante grotesco, rasteja pelo piso esbranquiçado, a cerâmica do parasita que mordisca teus seios e destroça teu ego. Fuja, fuja! E repito, não há nada de novo no discurso que não tenha sido história antiga. A diferença é a atualidade desta dor, que assemelha-se aos românticos mortos. Invejo a capacidade dos ordinários, em popular a memória com várias formas e facetas-orgasmáticas, sem destituir-se ou revoltar os olhos num lapso de memória vivo.
Odiar o próprio ser, sem ao menos ter em mãos algo que o resuma. Odiar o projétil, a pólvora que lança meu olhar na lembrança dolorida, tal qual seria passar a língua no dente apodrecido.