01, MARÇO, 2022.
EGO(2) DESCULPA.
O ser imobilizado, a estática imagem dos prognósticos roendo lentamente músculos expostos; a inexprimível inquietação conduzindo cansaços insones, letargias mórbidas. Despertar em novas esquinas, assustado por transeuntes. Sentir arder a pele, sombras formadas pelos intervalos do silêncio induzido, estapeando-se para esquivar torpezas introspectivas; revirando os olhos pela expectativa involuntária de ser trazido de volta a algum lugar que não este; ser proximidade consigo, íntimo, inescrupuloso; tragar bestialmente súplicas na pura solidão.
Vil, semelhanças vilanescas traduzidas no existir vagaroso, amordaçado por desejos reprimidos e a necessidade pífia do irrefutável, escancarado; caindo na contradição óbvia e inegável, acostumado a ser contínuo paradoxo caótico, e em afetação virar completamente irascível. Testemunhar-se causara úlceras robustas, disformes personagens raquíticos arrancando pedacinhos do seu organismo.
Ele precisa silenciar-se. Tateou cada centímetro nítido destes ambientes e cidades, inebriado pelas perspectivas próprias do mundano. Esquecera o óbvio, ser-lhe, viver sempre fora algo solitário. Deve arrastar-se pelas cerâmicas imundas, encarar formas delirantes dos comuns seres ao redor; gemer entre mordidelas nos lábios; ser o visceral, absurdo. Desculpar-se sempre soou-lhe odioso. Volte ao seu inferno, sempre fora inferno.
Testemunhar o pavor líquido de criar, criar como sente e vê. Perca, saia do horror corrosivo e tempestuoso das próprias premissas místicas; sentir-se deste jeito, sentir que é algo nefasto. Ser tão próximo do nada.