17, ABRIL, 2022.
LAMENTO.
Rotinas de corrosões sistemáticas, arremessadas pela inquietude mirabolante nestes dias ordinários; guilhotinas específicas para desejos instintivos, tentativas de alcançar aquele estado. O comprimido já está dissolvido na memória, riscado no âmago como algo trágico e de repetição improvável, impossível. Visito os trejeitos daquele derretimento no piso e a velocidade escorregadia das horas, e os dias como vertigens impalpáveis. Esquecer ou justificar uma próxima cartela, recusar o movimento da resistência às quantidades, aproximar-se do pífio ato deletério de regozijar um estado novo, semelhante em prática, um minúsculo acréscimo, mas que para o espírito é um ápice.
Conversas líquidas, respostas ligeiras e introspectivas; nada assume solidez. Visitas rápidas em manhãs conduzidas por hipóteses caóticas, mas um caos simplório; induções meticulosas de premissas que se satisfaziam na existência de si mesmas, estar acordado naquele estado em que meus olhos tangiam e não o mundo, sempre em escapes práticos, hábitos organizados pelos dedinhos meticulosos daquelas sensações malditas; sentia nas lembranças desorganizadas como um mequetrefe fantoche desiludido, sempre reerguido por um novo comprimido.
Escorregar pelas mirabolantes formas construídas nestes dias turvos, uma crença absurda. Não tenho nada a dizer.
Nesta inquietude detestável, a ausência completa de sentido prático de mim a mim. Uma apatia invasiva que amordaça, incinera todos os meus prognósticos. O ato miserável daquele ápice conduzido ao transe hipnótico semelhante ao esvanecer.
Meus dias tornam-se neste abril uma busca perpétua de um estado crítico como aqueles, dos comprimidos. O inferno de um nada sistemático, minha falta de forma puramente justificada na parte sintética de uma paz trágica. Como fazer para ser algo dentro de mim?
Desculpa.