INQUIETO (14)

29, NOVEMBRO, 2022.

INQUIETO(14)

Caos ou mesmice, caos ou semelhança, silêncio ou inquietude. Vestes e trapos, traços; vislumbres sistemáticos. Vultos dão forma ao conteúdo explicitado, nas exposições linguísticas possíveis. Compor agonia, residir nas ambientações lastimáveis; comparações ao decrépito, odioso, viciado. Gestos, conceitos e atos. Repetições, quedas oriundas dos burocráticos processos intercalados; vozes ruidosas mistificadas entre rostos aberrantes. Não há um que se finde no soar da voz, cada detalhe especifico molda-se nos anteriores. Este corpo caído, misturado aos cacos de vidro desta penumbra.

 O futuro é um ato detestável. Há corpos modulando premissas, gesticulando memórias e confundindo passados, presentes; prognósticos vêm à língua amargando, amarelando os dentes. Velhice, maturidade; odes sistemáticas. Escutar histórias alheias, corpos alheios; vultos distintos. Existir ou suplicar, suplicar. Estas violentas pancadas, sons opacos nas madrugadas; despertar, erguer-se como atirado a uma condição. Reflexos místicos, lidar com a chaga; um que adoece. Vistos, restituídos; voltam a vida, tragam a vida, todo defunto fora um grito agoniado.

 Complexidade, sobriedade. Passos descalços, areia quente; ondinhas minúsculas golpeando beiras. Gritam-lhe, querem a presença. Cura, promessas da cura. Desculpas não lhe cabem mais, desculpas residem na possibilidade da diferença, da mudança. Estático, mesmice.

 Desculpa, o eterno traz a lógica do imutável. A inquietude, a semelhança; ser isto, é inescapável.

 Cura, todas as promessas de cura.

 Para estar aqui, ainda.

 Como este ato que é a possibilidade de ser. Como todo este ser, um absoluto nada.

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