09, AGOSTO, 2023. FORMA E VIDA. Alguns passos depois da mesa, sombras convolutas entrelaçadas movimentando formas d’outro plano. A visão tenta traçar organizações possíveis. Choraminga soluços entrecortados; ao lado uma janela miúda redonda, um horizonte nublado. Está em algum canto idêntico ou está no mesmo canto e somente seus olhos transfiguram as imagens. Dúvidas ácidas …
Categoria: eu
TRÉGUAS.
TRÉGUAS. 22, JULHO, 2023. Viver não lhe trouxe trégua, escasso, Viver lhe prende nos grilhões ácidos, raso, Chora desde o primeiro instante, germinando agonia, asco, Testemunhas infinitos decompostos, por ordem divina, abjeto, Divinos escaldam sua pele nos caldeirões malditos, Suplicar já lhe é insensível, deixa-se ir; Ao contemplo contínuo nefasto, dos invisíveis; Cair nos desgastes …
TORRES.
16, JULHO, 2023. TORRES. Eu estou ali descansando meu corpo, mordido por espíritos. Eu estou aqui lamentando as ideias decompostas. Estou junto, indo até os cantos visíveis; tudo que vejo me rasga. A paz me parece inóspita, selada por cânticos antigos imemoráveis; ajoelho entre preces cósmicas, acertando meu crânio com pedras. Dão vistas a pulsões …
DESESPERANÇA.
12, JULHO, 2023. DESESPERANÇA. A última visita trouxe consigo emaranhados incontornáveis, ruídos mordiscando os ouvidos. Lua alaranjava seus passos lentos, germinando o último choro. Pensar já não lhe tirava das perspectivas abissais, via-se mais como traça e parasita que um homem em formação; pestanejava, socando a testa. Tentar ouvi-la, tentar sentar de novo e reter …
VER-TE.
06, JULHO, 2023. VER-TE. Um gesto pequeno realizado pelo açoite contínuo dos olhos alheios. São empurrões para saltos, empurrões para tentativas. Humanizar uma convivência áspera e ruidosa, silêncio cáustico aos ossos. Pausar diante da queda, não para evita-la, mas contemplar. Sussurros inquietos antipáticos, beliscando toda calmaria; imagéticas condições, prognósticos novos. Os dias vão amontoando perguntas …
CINZA.
CINZA. 02, JULHO, 2023. A vida repete uma história odiosa, traz consigo um musgo cinzento grudado na córnea. Dias rompem meu silêncio, abrem traqueias e músculos, expondo germes em agonia. São súplicas detestáveis amontoando-se aos poucos junto dos cômodos e a poeira deixando rastros desta vil decomposição. Sistemas autônomos reproduzem ignóbeis prognósticos, abrindo as costelas …
CANSAÇO.
27, JUNHO, 2023. CANSAÇO. As circunstâncias trazem consigo semblantes repetidos, dias iguais. Ecos sórdidos gesticulam cautamente, organizando inícios sistemáticos. Sistema, horizonte e ruína. Tentar se torna um ruído, tentar lembram rasgos na pele. Sua hora é essa, sua hora foi aquela, sua hora chegou. Não sucumba ou petrifique, desista. Venha até mim com um grito …
QUIMERAS SUBJETIVAS.
22, JUNHO, 2023. QUIMERAS SUBJETIVAS. Fustigantes simetrias miraculosas, dias e dias entre quedas simples, introspecções asquerosas. Há lamento escorrendo dos olhos aos dedos, mormaço, cinzas. Ver torna-se opaco, sentir uma vertigem. Entre testemunhas transfigura-se, amedrontado pelo contato breve significativo que lhe traria a vida. Anos sistemáticos modulando a própria fantasmagórica forma, lampejos e vislumbres dos …
INSUSTENTÁVEL.
13, JUNHO, 2023. Aspectos ordinários conduzem este espírito, requintes simplistas, rotinas displicentes. Vergastadas de um sol mesquinho abrindo fissuras em vidraças. Quais odes tirariam ou sepultariam enfim esta causa ruidosa egoísta. Caminhos turvos entrecortados por lampejos cáusticos, situações odiosas. Memórias conduzidas por barqueiros infiéis, jogando pragas aos céus opacos; ele estava amarrado a cordas espinhosas, …
falar.
05, MAIO, 2023. FALAR. Submetido a esta queda, resta-lhe cair. Vozes mancham sua pele áspera, vertigens açoitam-no, passo a passo entre caminhos turvos entrecortados; não há semelhança visível. Em si lateja, pulsa sermões inebriantes, cautelas gesticulares, odes e desespero líquido viscoso derramando dos lábios. Lá fora escutam gritos agudos escalando paredes empoeiradas, abrindo frestas. Sua …