06, JULHO, 2023. VER-TE. Um gesto pequeno realizado pelo açoite contínuo dos olhos alheios. São empurrões para saltos, empurrões para tentativas. Humanizar uma convivência áspera e ruidosa, silêncio cáustico aos ossos. Pausar diante da queda, não para evita-la, mas contemplar. Sussurros inquietos antipáticos, beliscando toda calmaria; imagéticas condições, prognósticos novos. Os dias vão amontoando perguntas …
Categoria: poesia
CINZA.
CINZA. 02, JULHO, 2023. A vida repete uma história odiosa, traz consigo um musgo cinzento grudado na córnea. Dias rompem meu silêncio, abrem traqueias e músculos, expondo germes em agonia. São súplicas detestáveis amontoando-se aos poucos junto dos cômodos e a poeira deixando rastros desta vil decomposição. Sistemas autônomos reproduzem ignóbeis prognósticos, abrindo as costelas …
CANSAÇO.
27, JUNHO, 2023. CANSAÇO. As circunstâncias trazem consigo semblantes repetidos, dias iguais. Ecos sórdidos gesticulam cautamente, organizando inícios sistemáticos. Sistema, horizonte e ruína. Tentar se torna um ruído, tentar lembram rasgos na pele. Sua hora é essa, sua hora foi aquela, sua hora chegou. Não sucumba ou petrifique, desista. Venha até mim com um grito …
QUIMERAS SUBJETIVAS.
22, JUNHO, 2023. QUIMERAS SUBJETIVAS. Fustigantes simetrias miraculosas, dias e dias entre quedas simples, introspecções asquerosas. Há lamento escorrendo dos olhos aos dedos, mormaço, cinzas. Ver torna-se opaco, sentir uma vertigem. Entre testemunhas transfigura-se, amedrontado pelo contato breve significativo que lhe traria a vida. Anos sistemáticos modulando a própria fantasmagórica forma, lampejos e vislumbres dos …
INSUSTENTÁVEL.
13, JUNHO, 2023. Aspectos ordinários conduzem este espírito, requintes simplistas, rotinas displicentes. Vergastadas de um sol mesquinho abrindo fissuras em vidraças. Quais odes tirariam ou sepultariam enfim esta causa ruidosa egoísta. Caminhos turvos entrecortados por lampejos cáusticos, situações odiosas. Memórias conduzidas por barqueiros infiéis, jogando pragas aos céus opacos; ele estava amarrado a cordas espinhosas, …
EM MIM./DENTRO.
18, SETEMBRO, 2022. EM MIM. 1. Estive lá, estive Vi de perto A pele O corpo Somos a mesmice A identidade O raso O cáustico Respire, Transborde-nos Tente dizer E falhe A decomposição É aqui, eterna As vistas turvas O infinito Nada lhe escapa, Nem lhe tira, Tudo cá lhe rói Lhe rasga, O risório …
NITIDEZ./DESAFETO BRILHANTE.
12, SETEMBRO, 2022. NITIDEZ. Nítido isto, não tenho nada a dizer Os fragmentos gesticulados, manuseados Através de brevidades fajutas, em lugares opostos Oscilações vegetativas, decomposições malditas; Medo das observações caóticas, miseráveis, Do teu dizer, destas lições e observações, Que são nada, são míseras e microscópicas, São mistificações oriundas de um ego, do meu; Lhe pedir …
SOBRE ALEGRIA.
06, SETEMBRO, 2021. ALEGRIA. Teu olhar penetrou minha alma, fiquei submerso Me contorço de prazer com a lembrança dos teus lábios Visito sem pressa as memórias recentes, entorpecido Cada palavra que surge dos teus dedos, me envolve Ficaria ali por uma época inteira, divagando sobre as frestas Cada curva da tua linguagem; Ver-te, foi como …
SOBRE NÓDOAS (2)
05, SETEMBRO, 2022. SOBRE NÓDOAS (2) Verde, a tua calma há de esvanecer, verá; Os termos desta insólita forma, As condições nefastas Vamos tirá-lo de lá, dar vida; A calma breve, dos seus requintes, Teus olhos penetram as almas, Mas descansa no bojo de si; Parasita a própria forma, O dia nasce arrastando grilhões, Ecos …
EU, SINTÉTICO, EU, MEDO./histeria.
15, AGOSTO, 2022. EU, SINTÉTICO, EU, MEDO. As vertigens vão abrindo espaço na pele, rasgando e deixando sangue escorrer. Corpos multifacetados arrastam suas línguas até os meus olhos, movem-se junto dos meus ossos, são mesmices rangendo suas catracas e me puxando para perto. Exausto, caio na inflexibilidade de um transeunte miserável, descanso meu corpo rígido …