11, FEVEREIRO, 2022.
ABJETO(4).
As movimentações do espírito precisam transitar para o ambiente em que a solidão é a única premissa possível, formuladora de princípios ativos, manutenção perpétua. Labirintos intransponíveis constituíram a essência mirabolante destas coordenações caóticas, criativas corrosões infernais diárias, desde o nascimento consciente onde germinavam as primeiras pulsões metafísicas. Um tipo sólido, mórbido, solitário. Redutor dos absurdos afetuosos em fórmulas, afastando-se com a cautela desleixada infante, tentando dizer a si mesmo ante o silêncio mórbido destes outros que havia no bojo, um ser a vir.
A peste transmite colisões deletérias, sistemáticos diabretes transmitidos pela fala alheia; o ópio nascia entre processos químicos melancólicos, não induzira nada dentre o ódio explícito nas situações diversas, conduzia entre passos lentos e rápidos, bebia dos cálices hediondos do medo. Ir até o cômodo, deitar-se, tremeluzindo em introspecções abissais. O imaginário transformava qualquer ambiente numa disputa repleta de sangue. E hoje, lamenta a falta de objetividade, o reprimido, a apatia. Não dirá como foi, só como sentira.
Volta mordiscando as chagas manchadas e arrastadas pela pele, as veias que inchavam junto do choro negado e aos poucos explodiam, encharcando o quarto inteiro de sangue, de si. Ecos silenciosos tateando o piso limpo na manhã seguinte e a maldição pestilenta, a certeza óbvia: ainda estava lá. Qualquer caminhar trazia em seu bojo a liquidez invasiva destas formas ao redor, nada vinha-lhe como afetuoso, rasgavam-no feito promessa divina. Ser deste jeito, uma condenação.
Os teus dias não se assemelhariam a qualquer proposta anterior ou introduzida. Calcular horas ou dias em agendas e relatos ordinários escancaravam o deslocamento confuso, difuso, abstrato dentre o real suposto por todos os outros e ali surgiria a primeira dúvida ímpia. Suas súplicas, todos os delírios encaixotados, como acúmulo de poeira no quarto, e a construção evidente das nebulosas diabólicas constelações cósmicas de si, como uma doença. E ainda, mesmo no relato absurdo, questionado seria por todos eles, se de fato era.
Então entre qualquer leitura ou escrita sua, deitaria no colo alheio como chaga. O torpe explícito, primazia líquida de um ego fragmentado e pífio. Se o vê, diga-o, que há algo; qualquer forma para trazê-lo de volta. Este silêncio fará daquela coisa o simples inebriante fato, que traz o aspecto salvador da morte ao decrépito. Ninguém esteve lá nas horas miraculosas, horas fantasmagóricas e que transformara a alegria numa mistura paradoxal da angústia pura e o medo. Ser algo, ser em si uma manifestação minúscula, fajuta, seria o ápice a um ser tão desgraçado.
Mas volta, se der. Tenha calma. Todo afeto transmitido deste, é uma metafísica única. Não esquece nada e assim será esquecido.