EXISTA.

EXISTA. 14, ABRIL, 2026.  Lembrar como existiu em tal hora daquele instante inebriante. Soluçar entre lapsos inconstantes germinando saídas colossais. Linguagens opacas, palavras ordinárias, condutores inescrupulosos. O ser aí que lhe habita, habitava, habitará; incapaz da mesmice, dos gemidos. Todos os dias nascem cósmicos, diferenciáveis. Resistir uma proeza mágica, continuar. O cigarro tremeluzia ofuscando o …

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MADRUGADA

17, FEVEREIRO, 2026. MADRUGADA. A madrugada inquieta percorria seus minutos vagarosos entrecortados. Via-lhe movimentar-se, desejando resquícios místicos daquela outra vez daquele outro tempo já desfeito. Seus olhinhos castanhos miúdos escorregavam súplicas delirantes alvejando meu olhar distante. Derretia estupefato pelo mormaço simbólico daquele estado simplório e químico. Aproximava-me desejoso esquivo dos outros afetos possíveis, minha quimera …

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JALLET.

04, FEVEREIRO, 2026. JALLET. Ouço o lento crepitar da vida porvir, arrasta-se solícita; súplicas germinantes incessantes inquietas, torpeza, vileza. Odes ao desespero puro daquele instante nefasto. Meus dedos gotejam lágrimas sangrentas. Memórias pestilentas açoitam meus ouvidos, tropeço e caio na pulsante lateralidade daquele amor eterno. Nada está feito ou desfeito, tudo é continuado dos instantes …

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EU E O NADA.

EU E O NADA. 19, agosto, 2025. A sós, sinto a traqueia comprimida. Meus sentidos elaboram constantes negativas furtivas insaciáveis; predominam constantes mórbidas, labirintos intransponíveis; há tanto lamento nas investigações, nas buscas por clemência, piso ameno caminho tranquilo. Todos os escapes são tétricos, retornos fustigantes ao dia infernal atordoado pela sequência d’ondas virulentas, projetando minha …

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INCOMPREENSÍVEL.

25, MARÇO, 2025. INCOMPREENSÍVEL. Corpos caídos da minha pele, estirados. Mesmices diárias rotineiras, fracassos misturados aos goles pútridos deste café. Vozes alheias introduzem processos químicos magníficos, mesclam originários maquinários homéricos contínuos e cessam repentinamente, ordenados por diabretes miúdos. A linguagem desta pele opaca vazia, metamorfose constante mirabolante conduzindo os dias inteiros a quedas nefastas. Caído …

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28.

28.  15, JANEIRO, 2025. São dias iguais continuados, repetidos, rarefeitos. Dias cósmicos arremessados ao ar, alcançados por uns e outros. Minha língua sequer projeta, está retraída, omissa, ridícula. Vim como um arruaceiro para destravar continuidades, desequilibrar o manifestado, rasgar o eterno. Não trouxe comigo nenhum sentido prático, somente aquilo esboçado pelo trajeto, a história do …

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IDO.

07, NOVEMBRO, 2024. IDO. Decaído gesticulo sentimentos dando-lhes formas próprias. Abstratos trajetos formando labirintos turvos entre curvas ásperas. Perdido há uma década, manifestando todos os requintes apavorados silenciados pela catraca contínua da vida. A vida rejeita meus trejeitos, escancara minhas falhas robustas altivas, e lá fora arde um sol. Respirar asco, tanta dúvida, tamanha dúvida …

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34.

10, AGOSTO, 2024. 34.  1; Ser e o nada. Nada está posto ou submerso, sequer existe vida. Lapsos ruidosos açoitam a pele exposta, mordiscam, mancham e rasgam enfim subtraem toda essência possível. Não houve mérito ou conquista, lamenta suplicante asco, tão amedrontado entre saltos ligeiros esconde-se novamente. Luzes turvas inundam recintos opacos, frestas intencionais para …

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28, JULHO, 2024. CONTINUAR. O medo jaz cá saltitante delirante. Medo traz consigo inexplicáveis momentos vis, angústia e irascibilidade. Onde infante não estiveste esmagado pelo horror entorpecente. As cruzes iluminadas, velas crepitantes e ainda ao som daquelas trombetas angelicais, dos ruidosos chorosos santificados; ali ainda vergastado, aterrorizado. Lhe vi aos prantos, caído questionando até onde …

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