26, FEVEREIRO, 2022.
EGO(1).
Escancara-se, o retorno a mim; destes meses, conduzindo e lidando com monstros insólitos tomando formas nas sombras das pertubadas penumbras induzidas. Calculando, sentindo premissas cósmicas entre diabretes mórbidos erguidos nos pretéritos cintilantes que dentro de si nas misérias dos espíritos, forjavam um afeto fictício e mastigaram minha carne exposta. Vivi submerso nestes outros, como um ridículo fantoche, movido pelo vício nítido de um gozo completo e que escancarava meu vício na melancolia; onde o prazer confundia-se com a tristeza, e o sexo surgia necessário pelo choro.
Viciava-me devagar em não existir, e surgir em raras vezes em um orgasmo guiado; um orgasmo que nascia na recepção, no pedido: posso gozar?
Chega.
26, FEVEREIRO, 2020.
FASES IGUAIS.
Esta é uma fase complexa, árdua e inescrupulosa, fareja as sórdidas incapacidades desta tua vida medíocre e junto as arremessa no espelho pífio do seu existir; logrado, logrado por qualquer vestígio cadavérico e pútrido, das falências orgânicas e quaisquer doenças simples entre todo o ser humano. Todos os detalhes previstos são como alquimias simbólicas, quais você devora, por ser tão ridículo.
Esta fase é a detestável, pois cê jura ter escutado na voz rouca dos velhos, e os toma como sábios. Vai ver é por todo este teu passado deletério e insólito, incapacitando-o de tomar para si qualquer coisa; vai mastigar as migalhas d’outros, pois é o que lhe restará, quando de dedos esticados tentar gritar qualquer coisa. Verá o silêncio escorrer pela língua seca, a arfante forma miserável das tuas conquistas.
Esta fase cospe em todas as tuas expectativas, derrama um por de sol mesquinho no horizonte dos teus olhos marejados, encharcados. Nubla e descasca. O imaginário que lhe afeta é impossível, não tem a palavra pra dizer e nem obterá, esta é tua parte.
Esta fase é idêntica a dos outros, imbecil. Não há escape para esta tormenta e nem sequer tem porte existencial; é uma química cínica, derrete a tua ponte do desejo e ser, transforma-o em um corpo sórdido, ocioso e fictício. Eu tenho pena de quem te ouve, quem te sonha, desgraça.
Esta fase é das promessas rarefeitas, do pseudo, da surrealidade, das ideias gigantes. Epifanias a borbulhar diagonais; paralelas e os carros que passam como sonhos e histórias de gente, neste plano.
Esta fase lhe será a última, pois há fim para todo labirinto. Descanse enquanto há corpo para tal, vegete ou caminhe, compare e esqueça todos os dias que as coisas são como são.
[ Não acorde com fome, faltará comida
Não levante com desejo, faltará gente
Não diga nada aos que estão lá, aos que te amam
Descanse, só descanse… Que tua imaginação é incapaz de ver pra onde. ]
26, FEVEREIRO, 2019.
CARTA AO ATO DE DECIDIR.
Os paradoxos não se limitam às perplexidades diárias ou os meus pequenos-gravetos delírios; tarda e não me vejo despido dos conceitos ditos há um curto tempo atrás. A fórmula deste mistério é praticamente o eterno, a fonte miserável das formas, uma inútil tentativa de desconstrução ou reação retilínea, coordenada.
Eu não traria a metamorfose como representação disto. Não traria nada, nada é representação desta mescla de simbolismos corrosivos… a não ser eu, ora. Qual outro jeito de se impor sujeito se não diante de mim a mim?
Teria-lhes resposta, caso dependesse de resposta para estar vivo.
Desculpas, peço desculpas; desculpas rastejantes, milimétricas e sinceras, desculpas carentes. As cousas simplórias do subjetivo lamento, do passo-a-passo da miséria que é senão uma dúvida.
Eu estive ontem com dous amigos fictícios, disse a eles: ‘faria uma metafísica inteira da palavra decisão’. Definitivamente uma fantasia da linguagem; eu observo o sujeito, estas decadências. Eu fugi da pergunta, não quis a resposta e sou a fatalidade desta incapacidade de: decidir. Hilário, não? Pois é, meus amigos.