REPETIÇÃO.

06, ABRIL, 2022.

REPETIÇÃO.

Ambientes mórbidos me projetam estas sensações, movimentam dados sensíveis através da pele, meu sangue coagula e petrifico; catatônico observo a ruína de alguns seres mortos na distância inescrupulosa deste devir maldito. A catatonia escancara um desespero nítido, a frustração de uma insignificância ante o caos do existir, o decrépito devir em sua apatia diante da morte.

Métodos de ajuda para esta catatonia lembram um tipo de transformação e adaptação a algo inefável. É completamente pífio argumentar contra o óbvio, a sistemática catraca de desgraças insignificantes e aleatórias acometendo o espírito, impiedosamente inescapável. O amontoado de corpos e os murmúrios ecoados entre soluços, últimos suspiros, tudo a planar como nuvens ao redor de todo e qualquer ser que preste atenção ao detalhe deste devir maldito.

Autoajudas para descomplicar o caminhar até algum ponto, um caminho que precisa desnublar-se. Projetos erguidos entre pontes de delírios alquímicos e entre uma substância ou outra retornar ao antigo processo, como de um dia pro outro tivesse saltado para um plano existencial em que não precisara se ser, mas as horas como diabretes encolerizados chacoalham o corpo, abrindo espaço entre as costelas e roubando todo o ar dos pulmões, a lembrança detestável que precisa levantar cedo.

Manifestos inaudíveis na solidão crepitante de um gozo pífio, os banhos longos e árduos para tirar da pele este outro que em completa desorganização e ódio de si, permitira adentrar-se e trocar ou passar as horas, como se o tempo esgotasse pelo prazer de um gozo egoísta. O chacoalhar arfante, a agonia constituída por um orgasmo que se desfaz na percepção ordinária, em um átimo como puxado de volta a si, repercute e se arruína pela repetição destes escapes, ciclos. Negações ulcerosas nascem na saída de quem esteve ali, o quarto comprime-se e o teto desaba, o corpo precisa chorar algo que não se dissolveu neste ato -de novo.

Os anos não ludibriam ou são metamorfoses, os fatos lhe perseguem e distante de serem labirintos, sempre justificam causas e efeitos; a peste está contida na tragédia de um suposto ato esquecedor, atropelar os sensíveis dias e épocas em seu processo existente, permitir a falácia primitiva da brevidade da vida, para retornar ao choro e a angústia da repetição.

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