sem título. (ANTIGO)

março(?), 2013(2), ???

SEM TÍTULO. (bizarro notar quão tarde eu tentei digitar qualquer coisa)

A sala era pequena, tinham vários móveis e um lustre enorme no teto. Joaquim estava preso ali a semanas, comendo ratos e baratas. Bebendo sua urina e quando chovia oque do teto pingava. Era circular e sem janelas, os móveis eram rústicos e bem antigos. A porta tinha sido trancada com perfeição. No centro da sala tinha o que parecia ser um alçapão, talvez para o sótão, talvez para a salvação. Porém estava trancado também. A escuridão tirava dele a vontade de viver, já não se via ou ouvia qualquer coisa viva a dias. A fome torturava e trazia pesadelos toda vez que dormia. Não queria pensar em viver, não queria pensar em morrer. Não queria estar ali, não sabia porque estava ali, não entendia. A mão direita tocou um móvel ao seu lado, apoiou-se e levantou-se com vontade. A sala parecia mais quente, o móvel fez sua mão arder. Caminhou pela sala… em círculos por alguns momentos. Bateu o joelho num móvel, esse era diferente… era pequeno, e de forma retangular. Abaixou-se e com as mãos analisou. Encontrou no objeto, o que parecia ser uma fechadura. “um baú?” Pensou quase feliz. “a chave?” Triste logo ficou. Tentou achar onde apoiar as mãos, para levantar o que parecia ser a tampa do baú. “arrrrghh…” Levantou a tampa, que foi jogada pra trás. O som ecoou e o fez tremer, viu dentro do baú algo brilhar. Em forma de chave, com cabeça de caveira. “Talvez a incerteza da vida nos leve a pensar que a morte tenha chegado, mas a verdade é que o certo só falha, quando a incerteza, medo do acerto é maior que o simples desejo de tê-lo.” Ouviu ao tocar na chave. “é… talvez…” Falou sozinho. Caminhou até o centro da sala, com a chave a guiá-lo. Encontrou o alçapão, e procurou a fechadura. Enfiou a chave, e rodou com força. “… não … acredito que esse… é o … melhor som da minha vida…” O som da fechadura abrindo, fez sua alma revigorar-se. Talvez agora, pelo menos, voltasse a ver a luz.

A escada “invisível” deixou Joaquim meio incerto, se descia ou não. A luz que vinha de dentro era meio azulada, de forte brilho. Como um guia a te chamar, a te explicar por onde andar. Suas pernas exaustas não suportavam seu corpo, com o alçapão levantado pelo braço direito, o joelho começou a latejar, tinha que decidir se iria ou não, no incerto adentrar. “Dane-se, já não sei se estou vivo.” Deu um pequeno salto e caiu no terceiro degrau, as pernas dobraram com o impacto fazendo seu corpo encolher para frente. Suas mãos apertaram o degrau usando toda a força restante, para não rolar escada abaixo. Puxou o corpo para trás e apoiou as costas no degrau de cima. “Peste, isso não tem fim…- botou a mão no rosto, e começou a chorar- eu só… só queria, tê-la nos braços de novo.” A lembrança fez a lágrima descer do olho até o final do rosto. A luz que brilhava azul, agora brilhava com um vermelho sangue, como se realmente o fosse. Tentou contar os degraus, conseguiu até o décimo. “Se não for agora…” acocorou-se e com o braço direito no que restava do teto, começou a descer. Cada passo fazia sua cabeça explodir, seus pensamentos morriam, sua vida morria. E quando parava, era como se renascesse. Estava no vigésimo e o fim não via, não chegava. Sua visão começava a adormecer, ofuscada, quase morta. “Diabos -cuspiu o restante da saliva, que seria sua bebida – vou morrer numa maldita escada. ” Sentou no degrau, e com o restante de seu cérebro refletiu. “Talvez, eu deva morrer mesmo… estou aqui a 2 semanas… 3 meses? 4 semanas ?… e ainda não morri.. vou entregar a alma, para a morte.. entregar meu corpo, deixar a dor tomar-me conta, pois, talvez ela seja temporária… em outro mundo, outro lugar, poderei dela escapar…” A mão no queixo barbudo, o tocar na boca seca. Seus olhos que um dia foram Verdes, verdes de cor inexplicável. Agora talvez, estivessem mortos e sem brilho. Seu sorriso, seu jeito de falar, será que alguém voltaria a ver, a escutar? Seu corpo esbelto, sua honra e sua sinceridade, será que teria sido tudo em vão? Acocorou-se novamente e voltou a andar. Adentrar na depressão, não iria ajudar. “Que se dane, o que estiver lá pra mim.. já vivi da pior forma possível,.. – bateu na parede – que se dane!”. A luz que estava brilhando num vermelho profundo, agora brilhava branca como as nuvens. ‘O sofrimento cega-te a alma, o sofrimento prende-te ao medo. O medo de não voltar a ter o que tinha, faz você pensar que está no fim da linha, e que a salvação é a maior da incerteza, lhe tirando toda a vontade de tê-la.’ Como um sussurro ao pé do ouvido, o fez estremecer. A sala brilhava num tom celestial, mesa posta no seu centro e um lustre enorme no teto, com várias velas. Os móveis eram-lhe familiar, todos colocados no seu devido lugar. Cadeiras antigas arrodeavam a mesa gigante. Um enorme baú tinha sido posto no lado direito da mesa, podia ver na fechadura uma caveira, era-lhe familiar. Observou melhor e percebeu que a sala era circular e havia apenas uma porta, e nenhuma janela. “Como… não… isso não pode ser verdade… devo estar sonhando… – Fechou os olhos e os abriu de novo, tudo estava lá, no seu devido lugar. – Pelos deuses, isso só pode ser brincadeira.” A energia que restara tinha ido, seu corpo foi entregue a incerteza da vida…

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