ERRADO.

21, AGOSTO, 2022.

ERRADO.

Abra então os seus olhos, abra-os até que rasguem. Inescapáveis sensações dilacerantes e o horror é o mesmo, disto ser causa sintética; ser pura causa química. Os fins vão nascendo como coágulos sanguíneos. Hoje se houvesse razão prática, daria corte profundo no crânio, para evidenciar esta chaga; ver-se de repente, ver representação finita. Errado está, de novo, errado continuamente; germinante constante destas negações absolutas. Imaginar já lhe é uma úlcera exposta, úlcera autônoma que injeta desejos conscientes para sua perpetuação; nenhum comprimido, nenhum escape, quando rompe e surge deve permanecer. Dor, mais um dia imerso na dor detestável destas persuasões cíclicas, permissivas. Sair de si, sair, para algum lugar.

 O lugar é o mesmo. A pele quer abrir, os músculos querem abrir, os ossos querem quebrar e as veias esguicharem sangue como uma última súplica. Súplica de um homem comum. Atento de novo ao detalhe deste lugar, desta irascibilidade; que algo surge somente dentro de si, mas a diferença é a mesma; está errado de novo.

 Horas visitam espíritos, horas caminham pelos tentáculos miseráveis, manchando sua pele. Fim, vê que a única forma é o fim; este fim precisa existir.

 Desculpas abrem tendões, desculpas pelo fato minucioso e detestável disto, inominável. Aquele choro inteiro, malogrado e puro, um choro que notara o perpétuo nítido destino de si; que tudo que causa-lhe, é químico.

 Vai chorar, pelo fraco, por ser fraco e simples, fraco e deplorável. Fraco por não ter sono para dormir, fraco por não ter forma para seguir, fraco por ser isto.

 Desculpas são razões, sempre pede desculpa, é tudo que é; uma desculpa.

 O que se diz químico, é que até o sentir, o dizer, as visões; tudo lhe é químico e prático. Se for isto, para quê estar?

 Ver que chega, que basta, que enfim deve dizer um fim. Ela precisa ir.

 Seu corpo é uma estátua que impede seu nascimento, seu corpo é toda esta agonia transitória, perpétua guilhotina da própria transcendência. A tragédia, de um infinito de dor, que evita o machucar-se; a parte física mantém-se firme, como condenação das pestes, dos diabretes e toda a linguagem acometida, dos bestiais e magistrais demônios noturnos. Ela vai embora.

 Arranquem sua cabeça fora, dêm-lho paz, notem as perscrutações, caminhos injetáveis ásperos; caminhos místicos, mulher que vira divinizante constante de amor introspectivo; arranquem sua cabeça, paz, precisa de paz.

 Dias deste jeito, vão aos poucos fazê-lo tão enfermo; que todos os próximos precisarão da malícia subjetiva, de vários e vários infernos.

 Boa noite, a isto, esta coisa odiosa e fraca. Tão fraco, fraco.

 Arranquem sua cabeça fora. Arranquem isto dele.

 Todas as curvas linguísticas são escassas, seu ser é isto e fim.

 Não volte. Não traga-o de volta, uma coisa destas precisa somente desaparecer.

 Era cedo quando levantaste, quando tentaste ser outra coisa a não isto; quando foi cambaleando e pausando para vomitar, pausando para gritar. Era então um novo dia, um dia que assim como ele precisa desaparecer. Não volte.

 Rostos e conteúdos e formas e corpos e medo.

 Medo de que vai ser e estar sempre errado.

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