NITIDEZ./DESAFETO BRILHANTE.

12, SETEMBRO, 2022.

NITIDEZ.

Nítido isto, não tenho nada a dizer
Os fragmentos gesticulados, manuseados
Através de brevidades fajutas, em lugares opostos
Oscilações vegetativas, decomposições malditas;

Medo das observações caóticas, miseráveis,
Do teu dizer, destas lições e observações,
Que são nada, são míseras e microscópicas,
São mistificações oriundas de um ego, do meu;

Lhe pedir perdão, não pediria, mas sei
Que tua crença é minúscula
Expectativa rasa, pífia
Olha-me como a cicatriz de uma ferida asquerosa;

Rastejo-me nestes pisos, afasto-me das substâncias,
Com violência penitente, moral, trago a cruz
Que não me pertence, sequer causara dano, sabes,
Sequer machuquei a minha pele;

Desço os degraus e de calçada em calçada,
Não lhe esqueço, quando me viste cair
Quando me viste tentar
Quando me mostrara minha insignificância

Dão-me nomes, dão-me teores e cores,
Formas, dão-me conduções e roteiros
Vêm-me nas distâncias invisíveis,
Vê-me nos aspectos ilusórios práticos

Você em si, sabe, que não quisera isto,
Que a mim o tempo é um labirinto
Sombras vertiginosas e um tipo de movimento
Automático, irredutível, manifestações de mim

Como se qualquer contrariedade fosse ser decepada,
Que a gravidade absoluta deste choro rouco, se faz
Necessária, se faz razão e condição
Sabes, que meu ser é desta forma ou nada; nenhuma outra, desgraça.

Aos olhos enternecidos,
Ao toque d’alguém
Ao sentir alheio
Ao dito manifestado

Sou a rarefeita exposição
Um eco sórdido, impuro
Um homem fraco
Um homem.

Venham, fiquem e deixem
Empurrem aqueles amontoados com os pés
São só meus rostos, 
Deitem perto de mim,

Abraça minha carcaça, abra com suas unhas,
Olhe através dos músculos, dos ossos
Afunde seus dentes, arranque um pedaço
Mostra a mim, por favor, por favor

Deite comigo,
Amor, deite só hoje,
Não peço nada além disto
Quero eternizar minha agonia neste instante,

Vê-la desfazer-se aos poucos,
Na brevidade cósmica deste afeto,
Desta sensação escassa, rara
Desta mirabolante exposição

Do meu choro,
Da minha peste,
Do meu caos,
Do meu nada.

Ninguém lhe dá crédito ou crença,
Já que,
Já que está bem,
Já que está vivo,

Quem crê no teu dito, se estás cá,
Se comes e bebes
Se tentas e amas
Se não arranca a própria cabeça?

Vou descansar,
Nunca estive assim,
Tão só,
Nunca estive;

Minto,
Sempre estive
Desde lá
Quando o nada moldava minha pele

Deitado no colchão, com meus dedinhos infantes,
Manchando imagéticas construções
Cenários, bonecos, personagens
Um tipo de mancha de tinta nas minhas retinas pequeninas,

Guardava, a quem diria
Chorava, a quem mostraria
Era, um tipo
De forma, que ainda é a minha,

Não desista, amor, não grite
Prometo-lhe
A morte
Nada é. 

12, SETEMBRO, 2016.

DESAFETO BRILHANTE.

Desculpas passeiam por esta praça
Descasca o rosto e maltrata a alma

Perdão, já fui maior que antes
Despeço o teu afeto antes que me toque

E voo até aquela estrela, a qual me contou 
Lá disseco-me no eterno universo

O luar esbanja ternura
Sóis e maiores que antes, brilham!

Jazem novatos, telescópios
Respingos e sangue, gravitando por cá

Destroços dos corpos anteriores
Formas belíssimas, seres fantásticos 

De soslaio o etéreo sobrecarrega-se
As ideias contorcem-no e explode

A ideia adormecida dentro do caixão
Desilude a ciência, contesta a divindade

Duelo ingrato
Um diálogo mascado

O jardim do colosso
Uma tempestade 

As misérias estabelecidas
Repetidas entre todos os lados

Qualquer compasso
Toda a física, repetida com novos nomes

A língua, amor
Fez-se a obra perpétua

Há entre todos um só ser
A voz que ecoa!

2. LAPSOS

Acordo pasme, a delícia deste caso
Descalço e nu, só de novo
Gotejo um rancor ao travesseiro
E em deleite me resumo a esta utopia

São novidades mestiças
Nações sem partições
E um partido luminoso
Um mirante

Voz, teu suspiro
Um corpo
Dez verdades escritas
Âmago rabiscado

Amo, amo
Destreza sua
Culpa sua
Existe tudo

Quaisquer que sejam
Voltam ao próprio pó
Mesmas agonias
Mesmo complexo

Arquiteto despido
Nudez infinita
Um grito lá embaixo
E ainda deitado escancarado

Sol, sol
Tua simplicidade 
Ardem os olhos
Luar, luar que logo venha

Peste, nota de novo
Sentado desligado
O beliscão teu
Voltei.

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