34.

10, AGOSTO, 2024.

34.

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Ser e o nada. Nada está posto ou submerso, sequer existe vida. Lapsos ruidosos açoitam a pele exposta, mordiscam, mancham e rasgam enfim subtraem toda essência possível. Não houve mérito ou conquista, lamenta suplicante asco, tão amedrontado entre saltos ligeiros esconde-se novamente. Luzes turvas inundam recintos opacos, frestas intencionais para poupá-lo eterna escuridão. Poetas lhe atingem palavras rudes grotescas, quimeras subjetivas infinitas. Outro trajeto cáustico corrói sua voz pífia, amordaça e adoentado padece novamente. Vislumbres práticos mirabolantes, odiosos nas premissas inalteráveis e possíveis, dando-lhe esperanças fustigantes. A dor desta perda, daquela perda, dessa perda, eternas perdas. Os conflitos amordaçam sua vozinha rouca e deitado amortece infernos inteiros. Repete um mantra disforme grudado por cabeças contraditórias, propostas maravilhosas reticentes e enfim do mantra tira vida e segue. Tropeços e quedas livres deploráveis, manifestos subjetivos, sujeito e predicado; ruínas.

  Vou lentamente alcançando opostos milimétricos. Serei o mesmo naquele poste inundando ruas, descansarei as costas, fumarei dois cigarros. Espero não ser o mesmo quando alcançar o próximo. Todos os dias visitam-me nefastas horizontais inquietas, mal tanjo-as fogem acuadas. Serei realmente esta causa repetida, matraqueando infalíveis sintomas decrépitos. Junto cacos dos vidros, espelhos mutilados pelo rancor desta face retornada. Todo espelho mostra diferenças miúdas, ainda me sinto, me vejo. Melhor seria não ver, melhor seria não estar e respirar ascos agoniantes, existências ululantes todas minhas. Invejas mortíferas daqueles humanos horizontais, quedas raras. Seus trajetos retilíneos, toda curva empecilho plácido sequer transfigurante e cá meu corpo caído, retira premissas a dentadas tentando trazer lógica prática para algum futuro humano.

 Sol lacrimeja seu esplendor. Somos rasos e simples, pequenos. A vida estagna-se pelos requintes mortíferos requintes capitais, ondulações germinais pulsantes; sistemas arbitrários inquestionáveis, odiosos milenares. Padecer ou dizer, minucias, poesias e arte tudo está acoplado como cabeças quiméricas, capital algum se entristece pelo seu contradito, sua ruína é lucrável; o mundo retido pelo lucro de si a si. Artes míseras gritam pelos corredores, curvas inteiras, mas o preço daquele ou deste livro é inacessível, tanto pelo requinte asqueroso do desejo, quanto da própria necessidade. Desejo ter mas por quanto, para onde ou para tanto. Tudo está arruinado pelos princípios ativos das premissas pífias deste lucro, daquele lucro, do meu lucro.

 Hoje acordo, mas inquieto preferiria ter visitado algum outro mundo, pisoteado algum outro plano. As dores de cá até lá, sentir se são simetrias ou realmente fomos nascidos únicos. Diferenças utópicas individuais, cristo caído para tal forma nascer possível. Anterior ao germinar cadavérico, a morte um projeto d’algum arquiteto místico. Odes, sistemas, o caos do nascer aqui ou , tudo jogado feito dados rolados, numéricas previsões horripilantes. Mirantes para futuros impregnados pela vida mesquinha, pela vida qualquer. Se formos atentar-nos em cada, cada visão, cada ser, o mundo finda-se na minha morte. A história acaba com a reticência decadência do meu raciocínio. Volte se quiser, juto que lhe amei até o fim da minha vida.

 Sou raso, por tal lhe lembro. Meu desejo pulsa nas inquietações luminosas, variações ópticas das luzes nítidas contrastadas por frestas, sombras, lugares. Assisto-as faminto, sinto misturar-me feito baldes de tinta jogados para o ar. Corro por estas ruas, galhos balançam festejando suas folhas e as ouço feliz. Meu mundo ruiria ou ruiu se fosse oposto, diferente.

 Ser e o nada. Sentimento áspero volta aos meus olhos. Aquele ser lá onde por trás e circunscrito por certezas pueris descansa, seus olhos alvejam o mundo não o mundo lhe engole. Invejo-o, sei das tentativas fracassadas desgraças, tantos ires e vires, seres e não. Mundos alheios a mim, mundos tenebrosos a mim, mundo onde ser não me é, ser é diametralmente oposto ao que sou. Lhe amaria caso sentisse e visse metade disto, disso e aquilo que ainda está porvir; e ainda assim ficasse.

 Quero popular todas as curvas destas ruas de mim. Quero esquivar-me para vislumbrar os mares inteiros, misturando-me e me tornando sal, sal das praias, do mundo.

 Vou aos poucos me tornando um ser.

 O nada é habitável, lhe garanto, pelo fato óbvio de sê-lo grato. Escutei, vi, assisti universos derretendo disformias cognitivas infinitas. Lugares desfeitos, miragens borbulhantes. Ondas quebrando recifes. Estou cá manifesto, espero existir até o ápice; ser ideia infinita.

 Lá pode ser que esteja, mas até lá não irei. Cá estou vivo, resquícios alegres saltitam meus ombros, minha pele excitada repete feliz arrepiada; sou aquela cor nova. Um azul verde acinzentado.

 Desculpa.

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