Acordo sobre a cama, o suor que desce as costas; fome, sinto fome, de algo intangível; levanto e vou até a cozinha, abro a geladeira, fecho e abro mais algumas vezes até perceber que não há nada pra mim ali. Não possuo perspectiva, ou fuga ligeira pra este momento singelo, preciso de algum tipo de …
Traças. (Luís Augusto)
FEVEREIRO, 2, 2018. estas traças que mordiscam a pele, saltitam entre risos ríspidos, causando ranço em meus tímpanos sóbrios; tento adormecer entre estas mordidinhas minúsculas, rejeitando o desafeto deste contexto miserável, observando a contorção da luz que se projeta exausta nos cantos do quarto. ocupando as horas com relapsos e delírios, mastigando a língua e …
INSANO “AFÍSICO”.
O insano que se percebe "afísico". JULHO, 11, 2016. Deito-me na mesma cama do passado, um repetir estático, dos modelos já bolados. Usurpo meus antigos corpos, junto em um caixão só. Largo lá ainda, três mensagens que adoraria receber e ter.Nada vem de brilhante lá da frente, nem cá recebi um prestígio ou um toque …
AFETO HEREDITÁRIO.
SETEMBRO, 26, 2016. O afeto hereditário. -Trago-lhe uma questão importante hoje… -De novo, cara? Não cansa? -Não, não canso. Pensa num indivíduo qualquer, pensa? Pronto, parte dele exige para si um poder que aplique controle sobre propriedade, parte daí, vê? Ele quer se auto assegurar… -Acho que te entendo, é como garantir-se seguro? -Exatamente, em …
CONSCIÊNCIA.
Ópio. Eu ouço os passos lentos, caminhantes observadores, sonhadores; comparações que outrora lisonjeiras, formam-se realidades palpáveis e faz meu estômago embrulhar, em borbulhas lentas e antagônicas. Meus estímulos reduzidos a perspicácias catastróficas, mirando semblantes simpáticos ou cadavéricos, doentes; fazendo dos passeios, dos transeuntes, quaisquer forem, pestes gigantescas e os desafetos que causam, como reais — …
ELO QUEBRADO.
JULHO, 05, 2017. Viscoso, algo viscoso caiu sobre minha cabeça; toquei-o como se fosse algo asqueroso, senti-o devagar atravessar a pele dos dedos, um alfinete mesquinho, impiedoso. Rapidamente estava passeando por dentro da pele, esquivando-se de tendões, veias; surpreendeu a ausência de vileza, na forma insólita que possuía, achei, diante dos olhos que logo estaria …
Copos.
SETEMBRO, 04, 2014. Sentado na pedra, o copo cheio, cheio de tristeza. Admirando a capacidade do sol queimar, de brilhar. Não é demais pra este, que sentado, agora grita. Simplesmente libera o pavor que caminha em suas veias. Bebe mais um pouco, e agora canta, a canção do medo. O copo vai-se, e com ele …
ONDAS.
DEZEMBRO, 11, 2019. 1.e esta decadência não é o sucumbir do ser, na medida do desespero que me acomete e leva tudo pra este abismo; qual o noto transpirar, em incessantes lampejos de epifanias, como ondas a destruir recifes. e importa, observar o trabalho infinito, perpétuo em ataques naturais, um natural explícito que forma na …
Outro café.
JUNHO, 30, 2016. Mais um café sem objetivo algum, outro remorso num terremoto de ideais esquecidos. O ambiente ainda tem um cheiro apodrecido pelas memórias antigas, dos mortos de outrora. Revigora-se por este contexto unicamente egoísta, de ainda bater o coração, na locomoção sem direção alguma. O princípio de sobrevivência lhe falta, sempre faltou. Ainda …
Passo a Passo.
JULHO, 4, 2015. I. O beco cheira a urina velha, amarga, antiga. Os garis, se é que já ouviram falar deste canto, não gostariam nem da ideia de pensar em ajudar, afastar este infernal cheiro do líquido amarelo e belo que jorra como canal de esgoto, para fora do corpo. Os banheiros se perdem, entre …