28, MARÇO, 2023. SISTEMAS. Promessas saltitam da língua, fantasias ignóbeis tumulares e cósmicas. Olhos radiantes submissos aos requintes artísticos, trejeitos condutores; ser, intimidade ao ser. Nas visões implícitas gesticuladoras, organizadas pelas corrosões indissociáveis contidas na violência do tempo. Envelhecer entre saltos, sustos repentinos epifânicos, miseráveis cortes profundos próximo aos ossos. Ali, na fresta minúscula rompida …
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ACORDE.
25, FEVEREIRO, 2023. ACORDE. Incendeiam-te, em verdade, mostram-no semelhanças, não entendo o medo. As razões mistificadas, todas despersonalizações organizadas milimetricamente para seus dedinhos miúdos transitarem lentamente por frestas, curvas e detalhes. O horror rompe a traqueia, amordaça, pelo fato nítido desta coisa que lhe habita. Inebriado por circunstâncias simplórias, cores translúcidas, breus, penumbras peculiares. Vendo …
VISITAS.
VISITAS. 22, FEVEREIRO, 2023. Juca estava cabisbaixo, encostado na parede; seu cabelo desgrenhado derramava-se pela testa. O silêncio beliscava a pele misturando-se aos ruídos da rua e dos andares acima e abaixo de si. Não se mexia há mais de uma hora, retendo um choro moído, calculado. As semanas vinham se tornando convolutas, depois de …
DÍVIDAS.
08, FEVEREIRO, 2023. DÍVIDAS. As coisas fluem, mas não retornam, não há horizonte que modifique essa história. Melhor deitar sem assumir nenhum risco, deitar como uma despedida necessária, deitar esperando um contágio. Contágio qualquer lhe tiraria da culpa, esvaneceria ausente da culpa do desejo de não mais ser vivo, vivente. Nada retorna, nada sequer deseja …
DESFEITO.
26, NOVEMBRO, 2022. DESFEITO. Aos prantos ou aos movimentos que submergem a alma, à vontade específica. Diante disto, se é que há algo posterior ao ápice, aos cumes. Vislumbres na distância de alguns dias que aos poucos caminham nesta direção como um sentido; é esticar o dedo, puxar alguma corda, trazer para si isto e …
ARRASTADO.
10, NOVEMBRO, 2022. ARRASTADO. JUCA. A chuva estava prolongando-se e ficando mais violenta, nuvens cobriam o céu azulado. Sentados lado a lado, Juca e Dante entreolhavam-se. As ondas findavam na beira, ecos misturados entre gritos e choros a cada trovão. Juca tira da bolsa uma garrafa e dois copos, estica a mão dando um ao …
SOBRE NÃO SERVIR PARA NADA.
16, OUTUBRO, 2022. SOBRE NÃO SERVIR PARA NADA. Estas corrosões vão continuar, vão arrastar-me pelo piso fétido desta tragédia contínua. Sou vítima ou mísero, sou isto ou nada; patético, pífio. Vão pisotear minha memória no acúmulo dos fracassos neste pretérito vertiginoso, onde a pele junta-se ao sangue coagulado e feridas expõe-me a mim, repetem processos …
EM MIM./DENTRO.
18, SETEMBRO, 2022. EM MIM. 1. Estive lá, estive Vi de perto A pele O corpo Somos a mesmice A identidade O raso O cáustico Respire, Transborde-nos Tente dizer E falhe A decomposição É aqui, eterna As vistas turvas O infinito Nada lhe escapa, Nem lhe tira, Tudo cá lhe rói Lhe rasga, O risório …
NITIDEZ./DESAFETO BRILHANTE.
12, SETEMBRO, 2022. NITIDEZ. Nítido isto, não tenho nada a dizer Os fragmentos gesticulados, manuseados Através de brevidades fajutas, em lugares opostos Oscilações vegetativas, decomposições malditas; Medo das observações caóticas, miseráveis, Do teu dizer, destas lições e observações, Que são nada, são míseras e microscópicas, São mistificações oriundas de um ego, do meu; Lhe pedir …
SOBRE ALEGRIA.
06, SETEMBRO, 2021. ALEGRIA. Teu olhar penetrou minha alma, fiquei submerso Me contorço de prazer com a lembrança dos teus lábios Visito sem pressa as memórias recentes, entorpecido Cada palavra que surge dos teus dedos, me envolve Ficaria ali por uma época inteira, divagando sobre as frestas Cada curva da tua linguagem; Ver-te, foi como …