falar.

05, MAIO, 2023. FALAR. Submetido a esta queda, resta-lhe cair. Vozes mancham sua pele áspera, vertigens açoitam-no, passo a passo entre caminhos turvos entrecortados; não há semelhança visível. Em si lateja, pulsa sermões inebriantes, cautelas gesticulares, odes e desespero líquido viscoso derramando dos lábios. Lá fora escutam gritos agudos escalando paredes empoeiradas, abrindo frestas. Sua …

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dismas.

DISMAS. 19, ABRIL, 2023. A pior súplica terá sido esta e o tempo revelará mordazmente entre deformações do rosto. Minutos esgueirados pela fetidez embaraçada dos trapos, poeiras, traças. Resumos mirabolantes para dias ridículos, resumos apoteóticos para dias minúsculos, resumos sistemáticos para mesmices colossais. Ergue-se lentamente evitando tremelicar no esforço, desgrenha cabelo, coça barba e com …

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SISTEMAS.

28, MARÇO, 2023. SISTEMAS. Promessas saltitam da língua, fantasias ignóbeis tumulares e cósmicas. Olhos radiantes submissos aos requintes artísticos, trejeitos condutores; ser, intimidade ao ser. Nas visões implícitas gesticuladoras, organizadas pelas corrosões indissociáveis contidas na violência do tempo. Envelhecer entre saltos, sustos repentinos epifânicos, miseráveis cortes profundos próximo aos ossos. Ali, na fresta minúscula rompida …

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ACORDE.

25, FEVEREIRO, 2023. ACORDE. Incendeiam-te, em verdade, mostram-no semelhanças, não entendo o medo. As razões mistificadas, todas despersonalizações organizadas milimetricamente para seus dedinhos miúdos transitarem lentamente por frestas, curvas e detalhes. O horror rompe a traqueia, amordaça, pelo fato nítido desta coisa que lhe habita. Inebriado por circunstâncias simplórias, cores translúcidas, breus, penumbras peculiares. Vendo …

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SOBRE PROGNÓSTICOS.

18, OUTUBRO, 2022. SOBRE PROGNÓSTICOS. Isto é uma condição, uma condenação. Verdes os olhos, as causas e os efeitos, não me restam forças dentro deste silêncio induzido. Meu dito escorrega da língua como átimos metafóricos, minúsculas tentativas de escapar e possuir vida. Lá fora o sol chicoteia paredes e testas alheias, lá fora há um …

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SOBRE NÃO SERVIR PARA NADA.

16, OUTUBRO, 2022. SOBRE NÃO SERVIR PARA NADA. Estas corrosões vão continuar, vão arrastar-me pelo piso fétido desta tragédia contínua. Sou vítima ou mísero, sou isto ou nada; patético, pífio. Vão pisotear minha memória no acúmulo dos fracassos neste pretérito vertiginoso, onde a pele junta-se ao sangue coagulado e feridas expõe-me a mim, repetem processos …

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