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18, JUNHO, 2014.
Por que não. Sim, sim, por que não. Ah, mas eu não quero. Por que não, sim, sim, por que não. Não, amigo, é, não, por que não. Sim, mas eu não quero. Não, eu não vou. Por que? Por que não quero, ué. Eu estou bem. Não, não quero. Não, não vou voltar. Certo? Por que não entende? É tão complexo assim? Então exploda, ué. Exploda tudo. Fui e voltei, sou e não sou. Quem é você? Certo, sim, é um caminho, mas só existe este? é, acho que não. Então por que não entende? Oh, são decisões, foram feitas, desfeitas, o que é certo? Nada é certo. Não, não volto, não, não quero. Entenda, já é um fato, senão o fosse não seria um. Quando eu quiser, ué. Nada é certo. Pois é. Pontos demais. Tantos pontos. Não, não pode ser somente assim. Olhe a cor do céu, diga se ali só existe um. Pois é, mudei de novo. Não, não devo a ninguém. É, alguns, sim, mas quantos? Que o céu caia. Não vou me importar. O vampiro do tempo e da memória. Pois é, fiz e já não faço mais. Sou, mas já não sou mais. Quem é você? Você é você, meu caro. Pois é, aceite, então. Fiz por achar que sim, agora desfaço por achar que não. Então não espere, ué. Sim. Não me adapto mais. É, eu sei que não consigo. Mas sim, eu vou tentar. Ah, que exploda então. Pois é, já explodiu? Todos os dias são novos dias, tão novos quanto os outros tantos. Faz tanto pra agregar, mas muda pra agregar. Amo tanto pra fazer tudo por, mas por mim o que há de vim? é, não, não volto. Pois é, não vou. Não, não, não, por que é tão difícil dizer não? Não entende? Pois é, isso sou eu.
18, JUNHO, 2016.
REFLEXO DO INVERSO DIÁRIO.
Reflexo do inverso, seu estado atual num outro canto, de outro olhar, do teu mesmo olhar… A rachadura no espelho, em teu desespero de fuga, fecha-se na jaula, nos pequenos pregos soltos e molengas, tua consciência grita… O homicida grita inversamente ao teu verso, e o sangue goteja, daquela tristeza furiosa… Grita contra o vidro, bate e berra, mas não há remorso que te salve, ver o teu estado crítico, analítico pelo próprio olhar… Martiriza-se pelo estado, em outro campo, no paralelo dos fragmentos de ideias, os danos cerebrais…
Suspira em alívio, nota-se ainda passeante e a voz agora não geme ou grita em desgraça… Ela ainda permite-se viver, neste contexto o teu lado inverso espanca as grades, quer usurpar os próximos anos de vida da moça… Ah, o canto escuro…
Dentro dos dois um ainda consegue descrever ambos, feito escritor, duas personagens, dois incríveis carismas, e de si, deste que propaga o controle dos outros, só guarda do passado, um resquício amargo suicida…
Cá ainda a sua favorita, senta-se numa cadeira medíocre, acende o cigarro, vira a dose, sorri pelo gosto ardente e deixa a jaula em segundo plano, só se revolta na ressaca agoniante e pede um transplante veloz de vida…
Nenhum em certeza se vê certo, é feito um pequeno projeto alienado na ideia de si, simples primeiro passo de sobrevivência, um programa de alguns algoritmos breves: sirva, produza, mantenha, respire, afaste a doença… A mescla de ignorância e prepotência, dando um clima diário de cinema, dos passos às corridas, do topo ao fim do morro, do mar ao rio, mantendo-se lá, diante de todas as coisas, se vê vivo…
Oh, o orgulho diante de mim, fez-me lúcido demais, feroz o meu peito anseia pelo teu colo, do teu ombro derreter minhas lágrimas, surrar a culpa com teu passear de dedos pela nuca, ah, a dor de uma piada insolente, e fiel ao teu ser romântico, me despeço de um apetecer desprezível, pela mistura de explosão contida no mesmo instante… Ainda assim amo, e amo…
Toca e fecha a porta do primeiro emprego, acostuma-se com o horário, se atrasa e implora pelo fim, pela sexta, a tristeza se esvai, o salário dá-lhe uma prepotência veloz, esvanecendo-se pela gosto do futuro ébrio, a ilusão da hipótese morta, no caixão da segunda-feira…
Toca e fecha a porta do primeiro emprego, acostuma-se com o horário, se atrasa e implora pelo fim, pela sexta, a tristeza se esvai, o salário dá-lhe uma prepotência veloz, esvanecendo-se pela gosto do futuro ébrio, a ilusão da hipótese morta, no caixão da segunda-feira…
Ver-se em espaço, oh, o compasso perfeito
Do retorno diário, ao dia, aos pequenos suspiros
A destreza em maquinar
A função é simples
A função é vida.
18, JUNHO, 2020.
ÓDIO.
Este ódio que rompe as grades minúsculas da pele, atravessa até a ponta das unhas, faz o golpe surgir rompante, inebriante e a escassez do ato, surge como uma decadência para dentro, um não agir que é a vergonha e o preço, de manter-se lúcido em tamanha desgraça.
Que desgraça terá sido a de me fazer acompanhar lentamente o processo desta indigestão cadavérica, destas moléculas sórdidas e ímpias, nas inquisições simples e até retrógradas, todo isto, tudo isto, uma maré odiosa de ópio que atravessa as veias e consome qualquer um ainda vivo.
As unhas de chofre fizeram este corte na pele, na fila, enquanto via um homem ignorar minha presença e a de três outras pessoas, por algum descaso moral ou ético, que me importaria navegar na lógica daquele incauto e desmerecido da atenção lúcida ou crítica, merecia simples achincalhar e afastar, retornar para o fim de onde aquele ser devia sempre estar, nos fins das filas.
O ódio é este mero, medíocre, vais a ver não um que tenha no seu bojo sentido direto, o ódio ante maquinários ou estatísticas caóticas, mirabolantes; as usurpações das vagas, dos direitos, sendo arremessados de uma nuvem densa no topo das lajes destas casas apodrecidas; famílias divididas nas questões quaisquer.
O ódio vai navegar feito o ácido simplório de uma alimentação idiota, vai atolar teu estômago, reproduzir refluxos crepitantes, feito brasas na garganta; teu choro será a maior capacidade, a maior vitória diante do maquinário; a política que lhe abstrai, lhe torna imbecil, lhe torna nada.
Tua garganta vai germinar bolhas gosmentas, que se esgueirarão até os dentes, apodrecendo-os no silêncio deste teu ódio.
Vais a ver o ódio para com o maquinário, a necessidade imposta de uma razão excelente de resposta, entre tanto conservadorismo e novo fascismo nascente, vai lhe arrastar pela cerâmica imunda do teu quarto, da janela com as grades enferrujadas; a vontade será unívoca quando este caminho inteiro desabar, vai ser primeiro um desespero e em seguida a morte. Morte pois, se há vitoriosos em debates de poder, neste caso a derrota será esmagante.
Ela já te esmagou.
18, JUNHO, 2020.
EXPRIMIR.
Hei de exprimir o choro agudo, insólito, cáustico desta ternura que cai na ignóbil forma, na tristeza marcável destes princípios ativos e químicos; meus olhos enchem-se das águas malogradas, no recanto de um espírito crítico a regozijar minhas decadências, tão sóbrias e amputáveis. A anestesia deste terço, desta meia-parte, desta convulsão introspectiva e rechaçado, achincalhado pelos homens de nobreza simplória, arqués meras e estúpidas, quais inebriam-se e atacam minha culpa chula, meu ego espetado pelos ordinários quaisquer.
Hei neste choro de desabar, no colo ameno e tranquilo deste que surgiu rompante, de chofre ante o cinza preenchido dos céus dos dias infinitos, das horas inacessíveis e o afeto que escapa como que de praxe, de ordenação divina.
Meu desassossego terá o gosto de um fim, o alcance da quimera pútrida e os tentáculos da minha incauta calma, será lapidado em alguma testa nua. Este que carregar afetações deste espírito, viverá inquieto, pelas vozes e pensamentos intrusos, deletérios e podres.
Vejo de cima da janela, das grades oxidadas, vejo o por de um sol maldito, a neblina dos gritos odiosos, o pretérito como uma história infantil contada por sádicos. Assisto retraído e convulso, sabido que até onde iria, já fui. Agora é hora de pendurar os dedos, a roupagem e a estilísticas que diante deles, dos sábios, sou nada mais que um infame; um criativo, no bojo das arquiteturas sólidas e brutas, jamais crepitantes.
Repito ao espelho qual perdi, a imagem de um reflexo derretido, a imagem que não se acostuma e sequer tentaria. Veja, veja de perto as rachaduras do trabalho, das óperas e épocas, epopeias e calmarias, de um ser aqui, um ser só.
18, JUNHO, 2020.
VAGOS (7)
estas divisórias, tuas atitudes, tua clemência, como se de fato eu lhe devesse algo, peste; volta pra tua órbita, onde oscila e descasca suas feridas com canivetes, durma apodrecendo devagar feito tudo que diz, pensa. não tenho a pressa de pisotear tantos cacos de vidro, para chegar mais cedo no final que é o mesmo. nada que faça vai alterar o bifurcar, é unívoco, inseparável, quase natural! a pressa, o detalhe é sempre mórbido e intragável, os detalhes vão vir, vão lhe derrubar. não assisto quedas, não verei a tua, ao mesmo modo que se decaio não caberá a mim notar, não cabe e nem caberia! trago no bojo as sementes do ópio quais amorteço as quedas diárias. veja, veja lá fora os tiros e os mortos aos montes, este assistir, este detalhe, tudo reprimido nos olhos dos fins de tarde. veja, veja de novo, quanta estatística recente… tanta gente desaparecendo, tanto silêncio.
volte, mas veja o que quiser, sempre foi assim, porque mudaria?
18, JUNHO, 2020.
NADA DE NOVO.
de repente vejo o mundo em suas cores, cores sacras e intangíveis vejo elas despencando de cachoeiras invisíveis, gotejam - tangem meu início, minha tarde, meus dias. de nada serviria um grito, um pasme! estou de fato inebriado, por tantas premissas vais a ver sou este fardo, para qualquer um que sirva; e o espírito deste ir a vir, deste ser a ser, convulso, relapso retardatário, instantâneo! ao pai, ao filho! ao espírito santo; que outrora viria, diria, "mas, sacro filho meu, retorna" ao quê? a que? para onde? veja nas tardes insólitas nos infernos diários no silêncio dos mórbidos mortos dos putrefatos quaisquer, somos hediondos, simplórios somos cousas banais. cuspo na face explícita do existencialista, que se pinta, dos requintes dos trejeitos, dos eruditismos fajutos das guelas e goelas expostas, que tentam mascarar, sentimentos diretos objetivos, como carência tristeza, amor. nada rompe, palavra melhor não existe para saudade, para desespero pra dor somos ritos, rituais que acabam pro outro sempre em desgraça. a dor de ter, de ser, sido tido, rompe a alma, rompe a calma. perdão ao pai, ao tio, ao irmão à família, que exige, dos trocos dos rebocos, dos alicerces há aquele jeito manco, ordinário o jeito chulo, pífio do tentar, ter ido visto, saudade. vais a ver terei sido outro eco como tanto pouco sábio, pouco visto pouco lido a escrita é uma margem torpe do imaginário pobre dum eu que tenta gritar que tenta ser, ser? veste a camisa, o padrão o estilo próprio do servo da servidão, do trabalho os individuais vão me atropelar pois venceram, conseguiram, alcançar o óbvio o fato próprio a vitória gloriosa, do salário. jogue meus trapos, meus retalhos, as traças que são que orbitam minha língua para onde deveriam ir; pro nada, pro sol que rói a carne exposta nas terras, debaixo de uma ávore pros ossos pro nada.