12, JULHO, 2023. DESESPERANÇA. A última visita trouxe consigo emaranhados incontornáveis, ruídos mordiscando os ouvidos. Lua alaranjava seus passos lentos, germinando o último choro. Pensar já não lhe tirava das perspectivas abissais, via-se mais como traça e parasita que um homem em formação; pestanejava, socando a testa. Tentar ouvi-la, tentar sentar de novo e reter …
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VER-TE.
06, JULHO, 2023. VER-TE. Um gesto pequeno realizado pelo açoite contínuo dos olhos alheios. São empurrões para saltos, empurrões para tentativas. Humanizar uma convivência áspera e ruidosa, silêncio cáustico aos ossos. Pausar diante da queda, não para evita-la, mas contemplar. Sussurros inquietos antipáticos, beliscando toda calmaria; imagéticas condições, prognósticos novos. Os dias vão amontoando perguntas …
falar.
05, MAIO, 2023. FALAR. Submetido a esta queda, resta-lhe cair. Vozes mancham sua pele áspera, vertigens açoitam-no, passo a passo entre caminhos turvos entrecortados; não há semelhança visível. Em si lateja, pulsa sermões inebriantes, cautelas gesticulares, odes e desespero líquido viscoso derramando dos lábios. Lá fora escutam gritos agudos escalando paredes empoeiradas, abrindo frestas. Sua …
DÍVIDAS.
08, FEVEREIRO, 2023. DÍVIDAS. As coisas fluem, mas não retornam, não há horizonte que modifique essa história. Melhor deitar sem assumir nenhum risco, deitar como uma despedida necessária, deitar esperando um contágio. Contágio qualquer lhe tiraria da culpa, esvaneceria ausente da culpa do desejo de não mais ser vivo, vivente. Nada retorna, nada sequer deseja …
DESGASTE.
24, JANEIRO, 2023. DESGASTE. Observa-me cá, de soslaio, basta um lapso; vê aos poucos o derretimento deste rosto junto dos ossos, juntando-se à poeira. Aos poucos, vou me tornando algo áspero e asqueroso, um asco milimétrico que de ponta a ponta dos labirintos das veias, me transforma nisto; neste desespero, nesta causa infinita; um rangido …
DESFEITO.
26, NOVEMBRO, 2022. DESFEITO. Aos prantos ou aos movimentos que submergem a alma, à vontade específica. Diante disto, se é que há algo posterior ao ápice, aos cumes. Vislumbres na distância de alguns dias que aos poucos caminham nesta direção como um sentido; é esticar o dedo, puxar alguma corda, trazer para si isto e …
SOBRE PROGNÓSTICOS.
18, OUTUBRO, 2022. SOBRE PROGNÓSTICOS. Isto é uma condição, uma condenação. Verdes os olhos, as causas e os efeitos, não me restam forças dentro deste silêncio induzido. Meu dito escorrega da língua como átimos metafóricos, minúsculas tentativas de escapar e possuir vida. Lá fora o sol chicoteia paredes e testas alheias, lá fora há um …
SOBRE NÃO SERVIR PARA NADA.
16, OUTUBRO, 2022. SOBRE NÃO SERVIR PARA NADA. Estas corrosões vão continuar, vão arrastar-me pelo piso fétido desta tragédia contínua. Sou vítima ou mísero, sou isto ou nada; patético, pífio. Vão pisotear minha memória no acúmulo dos fracassos neste pretérito vertiginoso, onde a pele junta-se ao sangue coagulado e feridas expõe-me a mim, repetem processos …
NITIDEZ./DESAFETO BRILHANTE.
12, SETEMBRO, 2022. NITIDEZ. Nítido isto, não tenho nada a dizer Os fragmentos gesticulados, manuseados Através de brevidades fajutas, em lugares opostos Oscilações vegetativas, decomposições malditas; Medo das observações caóticas, miseráveis, Do teu dizer, destas lições e observações, Que são nada, são míseras e microscópicas, São mistificações oriundas de um ego, do meu; Lhe pedir …
SOBRE NÓDOAS (2)
05, SETEMBRO, 2022. SOBRE NÓDOAS (2) Verde, a tua calma há de esvanecer, verá; Os termos desta insólita forma, As condições nefastas Vamos tirá-lo de lá, dar vida; A calma breve, dos seus requintes, Teus olhos penetram as almas, Mas descansa no bojo de si; Parasita a própria forma, O dia nasce arrastando grilhões, Ecos …