ANJOS. 02, NOVEMBRO, 2023. SOBRE ANJOS. Ruídos cessam entre seus desejos próprios, gesticulam formas incessantes; Há calmaria germinando na alma, lá onde nascem espíritos nítidos; Esferas dos vultos fantasmagóricos açoitando incessantemente portas e janelas; Vou até eles com olhos cáusticos chorosos, abro a boca, mas não consigo dizer; Nada tende a manifestar, nada consegue dissipar …
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sangue.
16, OUTUBRO, 2023. SANGUE. O quarto morno turvo mordido por luzes inquietas, poeira e medo amontoando nos cantos. Breves súplicas incandescentes nasciam do corpo estirado, rejeitando os ecos odiosos daqueles chamativos sintomas de cura contidos na morte. Suas pupilas dilatadas feito tinta preta. Arrasta até a porta, arrasta a testa no piso viscoso e se …
LETARGIA.
24, AGOSTO, 2023. LETARGIA. Existe um sistema turvo apodrecendo folhinhas miúdas esverdeadas, mordidas por lanças solares púrpuras. Nuvens cessam suas espirais e expõe um céu opaco. Há saudade germinando continuamente entre súplicas distintas, não minguam enquanto há vida. Voltar ao processo burocrático degradante da sua primeira queda, ver santos plásticos imersos em leituras mornas; choram …
TRÉGUAS.
TRÉGUAS. 22, JULHO, 2023. Viver não lhe trouxe trégua, escasso, Viver lhe prende nos grilhões ácidos, raso, Chora desde o primeiro instante, germinando agonia, asco, Testemunhas infinitos decompostos, por ordem divina, abjeto, Divinos escaldam sua pele nos caldeirões malditos, Suplicar já lhe é insensível, deixa-se ir; Ao contemplo contínuo nefasto, dos invisíveis; Cair nos desgastes …
TORRES.
16, JULHO, 2023. TORRES. Eu estou ali descansando meu corpo, mordido por espíritos. Eu estou aqui lamentando as ideias decompostas. Estou junto, indo até os cantos visíveis; tudo que vejo me rasga. A paz me parece inóspita, selada por cânticos antigos imemoráveis; ajoelho entre preces cósmicas, acertando meu crânio com pedras. Dão vistas a pulsões …
DESESPERANÇA.
12, JULHO, 2023. DESESPERANÇA. A última visita trouxe consigo emaranhados incontornáveis, ruídos mordiscando os ouvidos. Lua alaranjava seus passos lentos, germinando o último choro. Pensar já não lhe tirava das perspectivas abissais, via-se mais como traça e parasita que um homem em formação; pestanejava, socando a testa. Tentar ouvi-la, tentar sentar de novo e reter …
VER-TE.
06, JULHO, 2023. VER-TE. Um gesto pequeno realizado pelo açoite contínuo dos olhos alheios. São empurrões para saltos, empurrões para tentativas. Humanizar uma convivência áspera e ruidosa, silêncio cáustico aos ossos. Pausar diante da queda, não para evita-la, mas contemplar. Sussurros inquietos antipáticos, beliscando toda calmaria; imagéticas condições, prognósticos novos. Os dias vão amontoando perguntas …
falar.
05, MAIO, 2023. FALAR. Submetido a esta queda, resta-lhe cair. Vozes mancham sua pele áspera, vertigens açoitam-no, passo a passo entre caminhos turvos entrecortados; não há semelhança visível. Em si lateja, pulsa sermões inebriantes, cautelas gesticulares, odes e desespero líquido viscoso derramando dos lábios. Lá fora escutam gritos agudos escalando paredes empoeiradas, abrindo frestas. Sua …
DÍVIDAS.
08, FEVEREIRO, 2023. DÍVIDAS. As coisas fluem, mas não retornam, não há horizonte que modifique essa história. Melhor deitar sem assumir nenhum risco, deitar como uma despedida necessária, deitar esperando um contágio. Contágio qualquer lhe tiraria da culpa, esvaneceria ausente da culpa do desejo de não mais ser vivo, vivente. Nada retorna, nada sequer deseja …
DESGASTE.
24, JANEIRO, 2023. DESGASTE. Observa-me cá, de soslaio, basta um lapso; vê aos poucos o derretimento deste rosto junto dos ossos, juntando-se à poeira. Aos poucos, vou me tornando algo áspero e asqueroso, um asco milimétrico que de ponta a ponta dos labirintos das veias, me transforma nisto; neste desespero, nesta causa infinita; um rangido …